ESCRITA E FOTOGRAFIA DE VIAGENS
O Curso “Escrita e Fotografia de Viagens” é repartido por 6 sessões às Sextas-feiras, em horário pós-laboral, sendo uma das sessões a um sábado a determinar colectivamente.
Formadores:
Tiago Salazar – Jornalista e Escritor
Pedro Loureiro – Fotógrafo
Horários e preços:
Dias 5, 12, 19, 26 de Março e 9 de Abril | 19h00 - 22h00
Sábado | 10h00 - 17h00
6 Sessões | 50,00 euros
Números mínimo de alunos – 5
As inscrições estão abertas na Biblioteca
(Em baixo segue conteúdo do curso assim como a biografia dos formadores
Este curso destina-se a toda a classe de viajantes da económica à executiva, dos turistas de sofá aos andarilhos radicais, dos que preferem fazer quilómetros em linhas de papel a embarcar numa estação ou apeadeiro. Aqui não se requer taxas de aeroporto nem se cobra excesso de bagagem. Basta a vontade de chegar aos outros, e sobretudo a disponibilidade do olhar.
Informação sobre curso
Nota Introdutória ou uma carta de marear...
Sobre isto de viajar, devia haver nos boletins de entrada nos países – junto aos quadradinhos de «lazer», «turismo», «contrabando»... – os quadradinhos «unir» e «partilhar». Dito de uma forma mais sentimental: abrir o coração e deixá-lo pensar livremente sobre o que acontece durante a viagem. Antes de Heródoto (o pai dos viajantes da era moderna) viajava-se para fazer guerra ou prolongá-la por outros meios. Hoje viaja-se para pagar (ou esquecer) as guerras por outros meios.
Diz-se também que quanto mais se viaja, mais se acham as pessoas parecidas. Por exemplo, todos, minhotos ou chineses querem ir de férias, e todos secretamente invejam quem leva uma vida como a minha (um equívoco perdoável, pois nem tudo são nenúfares na vida de um viajante). Neste caso, recomendo que se antecipem aos chineses e reservem já os toldos... imagine-se que um cantão decide fazer férias em Bazaruto ou na ilha da Boavista... Enquanto candidatos a viajantes todos temos um sonho comum que é gozar umas férias merecidas – e que não se use a desculpa da falta de dinheiro, pois há vários vagabundos viajantes de nomeada (Kerouac, Lazarillo de Tormes, Fernão Mendes Pinto, to name a few).
Há depois a parte metafísica, a iniciação. Uma viagem é sempre uma descoberta. Uma peregrinação. Coisa pessoal. E um caderno de viagens, a escrita de viagens, é sempre um palimpsesto. A escrita de artigos ou narrativas de viagem pode abrir caminhos para os exploradores de papel. Diz-se que antes de deixar Palos, em 1492, Cristóvão Colombo estudou a Bíblia e a Geografia de Ptolomeu. Talvez quem vos leia vá um dia a Bazaruto jogar à bola com o menino Reis-Pedro, ou trepar montanhas com Pavel Rajtar, o alpinista eslovaco que escalou o Evereste com Sir Edmund Hillary.
Conteúdos do curso
- História abreviada da literatura de viagens
- Autores portugueses do século XVI aos nossos dias
- Considerações teóricas e técnicas de escrita
- Escrita e Fotografia no terreno
- As fases da escrita (do bloco de notas até ao livro)
- 1ª linha: uma questão do pensamento-sentimento
- Progressão e desenlace
- O que não é a escrita de viagens
- O improviso é premiado
- Escrita, reescrita e revisão (a arte de contar o que se viveu para contar)
- Os três “tês”: técnica/talento/trabalho
- Problemas, erros, sintaxe
- Recursos (notas bibliográficas, sites, blogues, etc)
- A fotografia de viagem (com Pedro Loureiro)
Biografias
TIAGO SALAZAR
Nasceu em Lisboa, em 1972.
Licenciado em Relações Internacionais. Debutou no Semanário como jornalista, em 1991. Escreveu sobre artes plásticas, livros, cinema, pessoas célebres (e menos célebres), política, economia, sociedade, desporto e obituários. Publicou contos no «DN Jovem» e no «DNa», do Diário de Notícias, no Expresso e na revista Ficções. Fez guiões para televisão, foi assessor do gabinete de imprensa do Instituto Camões e comissário de um salão internacional de artes plásticas no Hangar K7 de Oeiras. Fez parte da equipa fundadora da revista Blue Travel, assinou a rubrica «Escapadas» do jornal Correio da Manhã e a crónica “Quo Vadis, Salazar?” na revista Magazine Artes. Tem ainda colaboração eclética e dispersa por outras revistas e jornais, da Grande Reportagem ao Jornal do Fundão. Actualmente é colaborador permanente nas revistas NS e NM, do Diário de Notícias, bem como da revista Vogue, entre outras publicações. Desenvolve ainda projectos na área da edição (livros, publicações, brochuras, suplementos, plataformas multimédia).
Em 2007 publicou Viagens Sentimentais
Em 2008 publicou A Casa do Mundo
Ambos edição da Oficina do Livro
PEDRO LOUREIRO
Nasceu na Gafanha da Nazaré, em 1969.
Estudou fotografia (1989 a 1991) na MI 21/ Ecole des Arts et Metiers de l’ image, em Paris; de 1991 a 1998 foi fotógrafo do jornal Semanário “ O Independente ” ; 1996 foi bolseiro do Programa comunitário Leonardo da Vinci, em Paris. 2002 é co-fundador da Kameraphoto, agência de fotógrafos e da K Galeria em 2005 ; 1998 a 2005 foi fotógrafo da revista “ Grande Reportagem” ; editor de fotografia da revista NS’ ( Noticias Sábado - Suplemento do “ Diário de Noticias e “ Jornal de Noticias ” 2006 a 2008. Actualmente é fotógrafo independente, publica mensalmente na revista “ LER ” e colabora regularmente nas revistas “Notícias Sábado” , “Noticias Magazine “, “T “ , entre outras. Desenvolve projectos na área da edição (livros, publicações, brochuras, suplementos, plataformas multimédias).
Já publicou fotografias e portfolios em: “LER”, “Grande Reportagem“ , “0 Independente“, ”Egoísta”, “Notícias Magazine “, “Elle”, “DNA”, “Volta ao Mundo”, “Semanário Económico”, “The Telegraph ”, “ The On Sunday Telegraph”, “Le Monde”, “The Guardian”, “National Geographic Magazine. pt”, “Le Point”, “L’ Express”, “Journal du Diamanche”, “GQ”, “New York Times”, “Libération ”. Entre outros.
“As fotografias de Pedro Loureiro são mais do que fotografias jornalísticas. As suas imagens filiam-se na linha de significativos fotógrafos que usam a câmara como um substituto da escrita. Assim a fotografia adquire espessura documental e ganha uma expressão tão significativa como o texto.
Quando a fotografia tem a capacidade de construir leituras particulares de determinado universo, através da depuração visual e do enfoque em pormenores pregnantes, estamos perante um discurso autónomo, para a fotografia como expressão e para o documentalismo como espaço de aprendizagem.
Outra particularidade das suas imagens é o cuidado colocado no desenho dos contextos, carregados de informação sociológica sem desvalorizar a plasticidade da imagem, o que acentua a singularidade de cada um dos personagens que Pedro Loureiro regista. São pessoas, mas tornam-se personagens, porque sentimos que cada um pertence a universos capazes de conterem narrativas pessoais, quase sempre protagonistas de dramas ou tragédias de interesse universal. A realização destas imagens é feita com a cumplicidade dos retratados, trazendo para a fotografia documental o carácter ético que tem vindo a perder em favor da massificação das imagens, na imprensa”.
José Maçãs de Carvalho