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História de Almeirim

Almeirim é uma região que encontra as suas origens nos remotos grupos humanos que aqui se vieram fixar após as alterações das últimas glaciações...

Encontram-se materiais do Paleolítico Médio, lascas Levados, passando-se de seguida para o Mesolítico. O Neolítico, o Calcolítico e o Período do Bronze também se encontram representados.

O Período do Ferro marcou bastante esta região como provam as estações Arqueológicas Locais.

As Legiões Romanas de Décimo Junius Brutus estiveram neste local, subindo o Tejo e desembarcando perto de Santarém onde deixaram importantes marcas.

A ocupação das terras aráveis terá começado por volta do Séc. I a.C. Há por todo o concelho vestígios da presença, representado por Estações Arqueológicas.

Desenvolveram aqui a agricultura e a criação de gado: trigo e oliveira. Almeirim nasceu à beira do Tejo.

Mas vamos localizar Almeirim um pouco mais adiante na História, em pleno século XVI, onde os acontecimentos são mais abundantes e o registo dos cronistas nos aparece com mais precisão.

Com as suas magníficas coutadas de caça, que se estendiam por uma grande extensão, a vizinhança de Santarém, as proximidades do Tejo e ainda de Lisboa, com fácil acesso, por via fluvial, Almeirim tornou-se, desde logo, no lugar preferido dos reis da II dinastia e a estância de Inverno frequentada por numerosos membros da Corte, de tal maneira que foi considerada a "Sintra de Inverno", no século XVI, como se menciona e se dizia que "em Almeirim se estava em pilha como sardinha".

Almeirim era pois, o ponto ideal para repouso, tal como disse Júlio Castilho na sua "obra "Lisboa Antiga": "À fresca Almeirim afluía todo o que tinha moradia e assentamento e todo o que desejava ter: o cavaleiro ocioso recém-chegado da Índia, o taful que buscava mulher nos estrados do Paço, todos os estalajadeiros, "mariposas do palácio", namorados dos encantos de Portugal".

Em Almeirim as intrigas palacianas, os amores forjados à sombra dos frondosos jardins do Paço Real, eram misturados com a resolução dos mais altos negócios do Reino, tanto se dizia que "punha Cupido a sua aula e tinha El-Rei o seu despacho".

D. João I, entre 1411 e 1423, fez construir o Paço acastelado e as primeiras habitações que vieram contribuir para a criação da vila, depois do rei ter mandado proceder a trabalhos de terraplanagem, colmatagens e drenagens em terrenos paludados na zona da construção.

Este Paço Real foi aumentado e melhorado com novas instalações por D. Manuel I que esteve em Almeirim por diversas vezes: todo o ano de 1510, parte de 1513, o Natal de 1514 e todo o período que decorreu entre Outubro de 1515 e Maio de 1516, tendo D. João III seguido o seu exemplo, manifestando a sua predilecção por Almeirim, aliás demonstrado este interesse por toda a dinastia de Avis.
D. Manuel I mandou construir uma residência real perto da Ribeira de Muge, Muja ou Mugem, passando a chamar-se, inicialmente Paço da Ribeira de Muge e depois a ser conhecido por Paço dos Negros e ainda, um Convento em honra de Nossa Senhora da Serra.

Foi o Paço Real em Almeirim palco de uma das mais problemáticas Cortes da nossa história.

Em 1578, D. Sebastião que visitava Almeirim com frequência, foi levado pelo gosto da aventura e com o ímpeto dos seus verdes anos a oferecer os seus préstimos para a reconquista de Arzila, que os portugueses tinham abandonado em 1550.

Não resistindo à superioridade das forças marroquinas, o exército chefiado pelo jovem rei foi derrotado, deixando D. Sebastião a sua vida em Alcácer-Quibir provocando uma situação difícil para o reino.
Sem sucessor são abertas as Cortes de Almeirim pelo Cardeal D. Henrique em 11 de Janeiro de 1580 para decidir o problema da sucessão.
Nestas Cortes Febo Moniz, como procurador do Povo de Lisboa, dirige-se com voz enérgica ao decrépito Cardeal: "Entregue Vossa Alteza o Reino a um príncipe português e todos lhe beijarão a mão".
Sem nada ser resolvido, as Cortes são dissolvidas e o Reino passa a ser governado por Filipe II de Castela, dando-se início à Dinastia Filipina que iria durar Até 1 de Dezembro de 1640.

Durante o tempo em que Almeirim foi procurada como estância de veraneio, muitas pessoas passearam-se pelas ruas do burgo e povoaram o Paço Real: Gil Vicente, o pai do teatro português, representou, nos Paços da Vila, às Cortes de D. João III, algumas das suas farsas, comédias e autos, como por exemplo, o "Auto da Fé" em 1510; a "Barca da Glória" em 1519; a tragicomédia "Dom Dardos" no casamento da Infanta D. Isabel com Carlos V, em 1525 e em 1526 apresenta a farsa "O Juiz da Beira", a tragicomédia "Templo de Apolo", o "Breve Sumário da História de Deus" e o "Diálogo sobre a Ressurreição".

Foi ainda no Paço Real que Garcia de Resende começou a imprimir o seu Cancioneiro Geral.

"Sintra de Inverno", tal com era conhecida pela Corte, Almeirim foi cenário de festas pomposas e casamentos entre Príncipes, Donzelas e Infantes, mas de todo esse passado que animou o Paço Real, nada existe hoje que nos fale do fausto dessa época.

O Pórtico do Palácio que começava a ameaçar ruína foi mandado demolir por D. João, Regente em nome de D. Maria I em 1792, facto que só se verificou no século XIX, em 1890.

Actualmente, com algum significado histórico, existe a Igreja Paroquial de S. João Baptista, templo que passou por diversas fases de remodelação.

Possui uma só nave, dispõe de uma pia de água benta quinhentista e da imagem do padroeiro da freguesia em madeira do século XVII, pintada e estofada à moda da época, além de outras imagens que se encontram em diversos altares e nichos.

Começou por uma capela mandada construir por D. Manuel I em 1500, a Mestre Henrique, médico da Corte e da Infanta D. Isabel.

No tecto pode-se ver uma composição de Mestre Carlos Reis, representando o drago da freguesia.

De registar também, como elementos de interesse para a história de Almeirim é a existência de um edifício que foi adaptado a escolas primárias no início do século XX, agora desactivadas, e que foi um hospital e Capela mandada construir por D. João III em 1527 em honra de Nª Senhora da Conceição, sede da Ordem Terceira de S. Francisco e da Capela do Divino Espírito Santo.

É possível encontrar na parte antiga da povoação entre S. Roque e as Ribeiras alguns Passos do Calvário e edifícios revestidos a azulejos.
Com importância encontram-se os Palácios da Quinta da Alorna que foi residência de D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, a escritora Alcipe, 4ª Marquesa da Alorna.

Palácio do Casal Branco, famoso por ter sido palco de divertimentos tauromáquicos do Rei D. Miguel e a Quinta de Santa Marta, na freguesia de Benfica do Ribatejo que foi residência do Conde de Atalaia.

Mas outros factos históricos se prendem a Almeirim:
Por aqui passava a notável via militar romana que, partindo de Lisboa para Mérida, capital da Lusitânia. Esta seta ficaria integrada no Brasão da Vila de Almeirim, assinalando este facto.

A partir de então passou a realizar-se a procissão em honra do Mártir S. Sebastião e que, durante muitos anos, deu grande brilho a Almeirim.

Entre outras pessoas notáveis, nasceram em Almeirim:
- D. Afonso, Infante de Portugal, filho de D. João II

- Frei António das Chagas, autor do Teatro Jurídico

- D. Gonçalo da Silveira, jesuíta martirizado em 1561

- D. Fernando, filho de D. Duarte

- D. Duarte, filho do Infante D. Duarte e D. Isabel, filhos de D. Manuel I

- Supõe-se que o Cardeal D. Henrique teria nascido em Almeirim


Texto elaborado por Dr. António Cláudio