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Quinta-feira da ascensão

Na sua dualidade religiosa e pagã, foi esta festividade adoptada pelo povo de Almeirim para celebrar a fertilidade dos seus campos...

 

A festa litúrgica da Ascensão teve origem em Jerusalém e celebrava-se, a princípio, no mesmo dia que o de Pentecostes.
O seu uso foi transportado para outros lugares por numerosos peregrinos que tomavam parte nestas cerimónias, levando-as para outros lugares por numerosos peregrinos que tomavam parte nas cerimónias, levando-as para os seus países.

 

O hábito para fazer da Ascensão uma festa especial, começou no séc. IV e o objectivo desta solenidade era honrar o termo da missão do Redentor na terra e a sua entrada na glória do Céu.
Outrora, a liturgia deste dia, era revestida de grande significado: benziam-se os primeiros frutos e fazia-se uma procissão com tochas e estandartes.

 

A Ascensão é uma festa de preceito, celebrando-se à quinta-feira, passando a ter um cunho popular, quando o povo, na sua humildade, pretendia prestar homenagem a Jesus Cristo, com os símbolos da fertilidade nos primeiros frutos, representados na espiga simbólica que, durante o ano inteiro, ficava num sinal de respeito e fé, dependurada numa parede da casa, até à sua renovação no ano seguinte.

 

A Quinta-feira de Ascensão era antigamente festejada nos campos por entre merendas e bailaricos, aproveitando-se um contacto com a natureza e cumprindo uma antiga tradição.
Nos arredores de Almeirim (vila) era fácil encontrarem-se lugares destinados a esses encontros: Sobral (Compal), cômoros da vala, etc.

 

Apanhava-se, então, uma espiga, seguindo um ritual de fertilidade que constava de um ramo composto por ramos de oliveira (azeite), videiras (vinho) e espiga de trigo (pão), ornamentados com diversas e simples flores campestres.

 

Em 21 de Fevereiro de 1978 a Câmara sob a presidência de Alfredo Bento Calado, deliberou por recomendação da Assembleia Municipal considerar a Quinta-feira de Ascensão como Feriado Municipal uma vez que em todo o concelho aquele dia tinha um cunho popular e era festejado pela maioria dos habitantes com o maior carinho desde tempos remotos. No entanto, a Ascensão deixou de se festejar como ritual litúrgico à quinta-feira, passando a Igreja Católica a fazê-lo no Domingo seguinte, tal como foi lembrado por um leitor do “Almeirinense” em 15 de Maio de 1978.